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quarta-feira, 1 de maio de 2013

A mercearia - 15


Escrevo no dia em que se comemora o Dia do Trabalhador; para mim, o feriado que mais se deve assinalar nos estados livres e de direito democrático porque, se se vive do trabalho e para o trabalho – é discutível a tributação do trabalho mas isso é tema para outra discussão, não tendo lugar nesta crónica -, se é à custa dos rendimentos do trabalho que as populações têm melhores condições de vida, que se pode construir um estado-social, mais justo e coeso, é, no meu ponto de vista, um dia a ser assinalado.
Um dia que deve ser comemorado pelas pessoas e as suas famílias, com os amigos, com os colegas de profissão mas sem o corporativismo de outrora, lembrando comemorações pouco livres como as paradas em Berlim Oriental, Moscovo, Pequim e um pouco espalhadas por todas as ditas democracias populares.
Na semana em que se comemora o Dia do Trabalhador, sendo para mim o feriado dos estados livres e de direito democrático, comemorou-se o dia mais importante do século XX português: o 25 de Abril de 1974 – sendo que a liberdade, apesar da Revolução, só é completamente instaurada com o 25 de Novembro, devido à audácia de um grupo de militares, politicamente apoiados pelo PSD, PS e CDS que, durante mais de um ano, lutou por instaurar um sistema democrático, representando todos os portugueses de igual forma, com sufrágio livre e universal, terminando com todo o tipo de polícias políticas, colocando os militares nos quartéis e estabelecendo a ordem institucional.
O 25 de Abril foi o dia da alteração do regime, caminhando-se para a liberdade. Para a revolução acontecer e para ter tido o sucesso que teve, deve-se, em grande parte, ao PCP, à extrema-esquerda, aos católicos progressistas e à maçonaria que, ao longo de muitos anos no período anterior ao dia que se comemora, utilizando o associativismo e publicações clandestinas, incutiram ideais de liberdade e contestação num povo amordaçado.
Este papel foi fundamental para o sucesso da revolução: acender um fósforo numa floresta húmida, não causa nenhum dano; contudo, se for capim, as proporções são muito diferentes. Felizmente o capim ardeu, levando consigo o fósforo.
No período seguinte, Sá Carneiro, Mário Soares, Eanes, Adelino Amaro da Costa, apenas para citar alguns, foram de vital importância para o estabelecimento da ordem institucional e da entrada de Portugal no grande projecto europeu de caminho para a paz e a prosperidade económica e social que é a Comunidade Europeia.
Após isso, Cavaco Silva – o melhor Primeiro Ministro que Portugal conheceu – cumpriu algo fundamental num estado livre: a devolução das empresas aos empresários e a abertura da comunicação-social, TV, aos privados. O estado deve ter um papel activo na defesa, justiça e ordem pública, saúde, educação, solidariedade-social e, em algumas aspectos, um papel regulador. Em tudo o resto deverá sair e dar “liberdade ao risco”, à visão estratégica dos empresários e dos seus funcionários.
Ou seja, a liberdade foi conquistada por todos e todos tiveram um papel importante na sua conquista. Assim foi e assim é sendo, por isso, o 25 de Abril o dia de todos e não apenas o dia de algumas forças, o dia de algumas pessoas.
Falta cumprir Abril? Falta: precisamos de um sistema de justiça mais célere, necessitamos de uma real separação dos poderes, é necessária uma responsabilização da população e dos seus governantes pela preservação do bem-publico.
Contudo, o 25 de Abril foi em 1974, sendo que a Carta Magna foi escrita em 1215: o nosso sistema é jovem sendo nós, por isso mesmo, merecedores de confiança e respeito por tudo o que fizemos e alcançamos em tão pouco tempo.
Todas estas razões são motivo de orgulho e, os dois feriados, deveriam ser aproveitados para: festejar a liberdade de opção e a liberdade de imprensa, festejar o direito ao voto, festejar o direito ao trabalho, festejar o direito de se fazer parte de uma sociedade que se pretende justa. Abraçar o amigo, o vizinho, o desconhecido. Apontar os defeitos do sistema mas honrá-los.
Todos somos importantes na sociedade e é em liberdade que mais se sente isso. Portanto, nos festejos, deverá estar o rico e o pobre, o patrão e o empregado, a esquerda e a direita, o polícia e o ladrão, o operário e o contabilista, o camponês e o advogado, o mecânico e o actor, etc., todos por igual.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Serviço-público

O direito à informação está consagrado a todos os portugueses. É serviço-público dar essa informação.
Joaquim Vieira fê-lo.

quinta-feira, 21 de março de 2013

A evolução da espécie


  1. António Costa "vai não vai" disputar a liderança com António José Seguro
  2. André Figueiredo, José Lello e Isabel Moreira clamam por uma Moção de Censura ao Governo
  3. Mário Soares exige que António José Seguro se defina
  4. Sócrates aparece como comentador na RTP
" Qual é a pressa?"
Sem saber muito bem como, sem ter jogado, saiu o Totobola ao Governo.  

A mercearia - 11


Mário Soares criticou a posição do "PS de Seguro", "que não pediu ainda a demissão do Governo," lembrando que "na política partidária, ou se está de um lado ou do outro" e sublinhando que "estar a meio caminho só serve para os partidos enfraquecerem".
O antigo Presidente, ao contrário daquilo que o seu CV e idade deveriam transmitir, parece um jotinha, tomando a partidarite como uma claque de futebol, em que tudo é branco ou preto, desconhecendo o mundo, a economia, a história e o humanismo, necessários, para se perceber que existem muito mais cores que moldam a visão e o rumo.
Não acredito que Soares seja assim. Acredito que outra coisa o move.
Antes de Soares, André Figueiredo e depois José Lello e Isabel Moreira, vieram clamar que o país esperava que o PS fizesse a apresentação de uma Moção de Censura ao Governo.
Para que querem os socialistas viúvos de Sócrates, e outros que não vão com a cara de Seguro, que o PS apresente uma Moção de Censura?
No actual quadro de representatividade na Assembleia, uma Moção de Censura ao Governo não passa porque não colhe a maioria dos votos dos deputados (a menos que Paulo Portas e o CDS estejam cansados de estar no Governo e decidam, desse modo, acabar com ele).
No entanto, na Moção de Censura e nos dias que a antecederem vamos ter o PSD a acusar o Governo de Sócrates pelo estado em que deixou o país, a assinatura do Memorando de Entendimento com a Troika e a actual crise.
A Seguro e ao PS restam apenas e só duas coisas: ou vão defender com unhas e dentes o anterior Governo, em plena Assembleia da Republica, legitimando todas as asneiras que foram feitas ou, não fazem nada.
Qualquer uma das soluções é má mas caso o PS não faça nada, os opositores de Seguro têm mais um argumento para pedirem eleições internas: o actual líder não é capaz de defender os seus camaradas de partido.
A pergunta que faço a todos é simples: o que ganha o país com isto?! Nada. Mas assim se faz oposição cá pelo burgo, assim se divertem os digníssimos senhores do Partido Socialista. 
Com a crise que vivemos, pessoas com a experiência de Mário Soares, José Lello, quiçá Pedro Silva Pereira, ao invés de contribuírem para a resolução do problema, olham para o umbigo.



João Rebelo Martins in Politica Queira Mais

terça-feira, 19 de março de 2013

Mário Soares e o que há de mau na politica de hoje

Mário Soares criticou a posição do "PS de Seguro", "que não pediu ainda a demissão do Governo," lembrando que "na política partidária, ou se está de um lado ou do outro" e sublinhando que "estar a meio caminho só serve para os partidos enfraquecerem".
O antigo Presidente, ao contrário daquilo que o seu CV e idade deveriam transmitir, parece um miúdo da JS ou da JSD, tomando a partidarite como uma claque de futebol, em que tudo é branco ou preto, desconhecendo o mundo, a economia, a história e o humanismo, necessários, para se perceber que existem muito mais cores que moldam a visão e o rumo.
Não acredito que Soares seja assim. Acredito que outra coisa o move : colocar o actual PS a defender com unhas e dentes o PS de Sócrates; aquele que no debate de discussão da moção de censura vai ser atacado como sendo o grande responsável pela actual crise. 

domingo, 13 de janeiro de 2013

A mercearia


Poucos dias depois do Expresso comemorar os 40 anos sobre o lançamento da primeira edição – comemoração essa que teve, e vai ter, vários momentos-chave mas que, no meu entender, a mais marcante é o próprio jornal e os seus conteúdos -, Francisco Pinto Balsemão, na Grande Conferência Portugal no Mundo, no discurso de abertura, afirma que um jornal não deve ser poder nem contra-poder; deverão os leitores tirarem as suas próprias conclusões pela análise das notícias.
“Bullshit”, dirão alguns.
No entanto, depois de Balsemão ter discursado, fê-lo Durão Barroso, terminando com Cavaco Silva e, no meio de tudo isto, existiram debates onde participaram Mário Soares, Felipe Gonzalez, José Ramos-Horta, Joaquim Chissano, Celso Lafer, António Damásio, Miguel Poiares Maduro e Henrique de Castro. Na plateia estavam embaixadores, ministros, ex-Primeiro Ministro e ex-ministros, ex-candidatos a Presidente da Republica, deputados, banqueiros e pessoas que amam a liberdade, empresários, donos de Fundações.
Ou seja, se a comunicação social – aqui representada pelo Expresso – não for poder nem contra-poder, conseguindo juntar tantas e tamanhas personalidades, poder-se-á dizer que é, tão e só uma ferramenta através da qual todos poderão extrair as qualidades e defeitos do mundo, opinando e agindo sobre eles.
Com este princípio de pluralidade o Expresso sobreviveu 40 anos, esperando eu, que sobreviva pelo menos mais 40. Com este princípio de pluralidade, da direita à esquerda portuguesa, todos puderam/ podem escrever no Expresso e nenhum se pode gabar de ter tido o Sábado descansado.
Posto isto, pegando neste princípio de pluralidade, muito me enobrece o convite feito para estar neste grupo de comentadores da política do Aveiro-norte, que ganhou corpo neste novo meio chamado Política Queira Mais.
Prometo dar a minha opinião sobre factos, prometo fazê-lo enquanto me quiserem ler e, também, enquanto me der gozo. Não prometo ser imparcial: isso é dever dos jornalistas e eu, não o sou.
Até breve,

João Rebelo Martins

*A mercearia é um local onde se encontram produtos frescos como alface, tomate, peixe de mar e sal e coentros para o temperar. Também poderemos encontrar enlatados; ou carne seca e fumada. Há uma secção de guloseimas – casca de laranja com chocolate – e outra só com brinquedos para os miúdos. Na mercearia também é habitual os fregueses conviverem e falarem da vida.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A propósito de Soares

Há dias ouvi Mário Soares, no seu característico nacional porreirismo, dizer que se fosse ele ou o Felipe (Gonzalez) os respectivos Primeiro Ministro dos seus países, diziam aos mercados quem é que mandava e colocava-os (aos mercados, suponho) no sítio. Tal afirmação foi proferida na Grande Conferência do Mundo Português, comemorando os 40 anos do Expresso, e conseguiu produzir uma gargalhada geral no CCB.
Nem de propósito, sobre outro assunto que andava a pesquisar, cai-me este texto no colo:

"SEMPRE EM FESTA

É sabido como os sanguíneos são divertidos e os biliosos exalam mau-feitio. Os primeiros são frequentemente gordos; os outros são habitualmente magros. Eis dois tipos de personalidade em que se enquadra à perfeição o Dr. Mário Soares e se enquadrava o Dr. Álvaro Cunhal. Também por isto, é muito mais fácil ao Dr. Soares angariar simpatias enquanto o Dr. Cunhal metia medo. O ar bonacheirão de um a contrastar com a frieza do outro. Um, a revelar amiúde que não liga muito aos zeros antes da vírgula tanto lhe fazendo milhares como milhões; o outro, sabendo muito bem que não podia dar ponto sem nó.

E foi destas duas figuras públicas portuguesas que me fui lembrando ao longo das caminhadas que íamos fazendo em Praga. Porquê? Porque o Dr. Cunhal pertencia à doutrina que foi destronada em Maio 1989 quando o Governo húngaro decidiu unilateralmente desmantelar a sua parcela da Cortina de Ferro; porque o Dr. Soares foi a Praga em Novembro ou Dezembro desse mesmo ano às manifestações populares da Revolução de Veludo quando o comunismo já era um frangalho na História europeia. Homem sério, Cunhal não teria qualquer pretexto para comemorar e, pelo contrário, deve ter olhado para aqueles acontecimentos como o desmoronamento dos seus próprios ideais. E assim ia eu recordando a notável integridade desse homem – que sempre tive como meu inimigo – a ver ruir peça por peça o castelo dos seus sonhos. Deve ter sido muito triste e daqui o saúdo pela coragem que teve até ao fim de não ir em modas e se ter batido pelos princípios em que cria.

Lembro-me perfeitamente da fotografia publicada pelo “Diário de Notícias” mostrando o Dr. Soares a desfilar eufórico na Praça de S. Venceslau ao lado de Vaclav Havel que exibia uma autêntica cara de pau como se se perguntasse «o que é que este Fulano está aqui a fazer se nem sequer o convidámos?». Procurei essa foto em toda a Internet para a publicar aqui mas... sumiu-se. O flagrante contraste das expressões faciais resumia tudo: a responsabilidade que Vaclav Havel assumia; a euforia de quem lá tinha ido carnavalar.

A queda do bloco soviético aconteceu por exaustão do seu próprio modelo social, económico e militar (incapacidade de resposta à «Guerra das Estrelas» de Ronald Reagan) mas no plano internacional houve dois momentos fundamentais: aquele 12 de Junho de 1987 em que Reagan pediu a Gorbachov, frente à Porta de Brandemburgo, em Berlim: "Tear down this wall!" e aquele 8 de Dezembro desse mesmo ano em que Margareth Thacher disse sobre Gorbachov algo como «Confio neste homem e peço ao mundo que também confie nele». Estas declarações corresponderam à afirmação peremptória de que Gorbachov podia encetar as políticas de reforma interna da URSS com a certeza de que o Ocidente não se aproveitaria de quaisquer fraquezas supervenientes para atacar a Rússia ou seus aliados.

Portanto, o Dr. Soares nada tivera a ver com a queda do bloco soviético, não influenciara minimamente o derrube da Cortina de Ferro húngara nem do muro de Berlim, não aconselhara Gustav Husak a desmantelar o Estado comunista checoslovaco e não fora sequer convidado a participar nas celebrações da Revolução de Veludo.

Sim, parece irresistível o apelo que a «festa» exerce sobre o Dr. Soares que induziu à constituição de despesa pública na sua deslocação a Praga sem que a política externa portuguesa tivesse algo a ver com o processo. Ainda se poderia dizer que teria havido uma grande representação de países ocidentais mas, na verdade, tanto quanto as desaparecidas imagens revelavam, apenas Portugal se fez representar. A que propósito? Mistério tão grande como o que justificou a ida do Dr. Soares às Seicheles andar de tartaruga.

É claro que não lhe vamos pedir a restituição de dinheiros tão mal gastos mas talvez seja altura de o Dr. Soares reconhecer que Portugal nada ganha de substancial com a sua Fundação nem com a de sua mulher, a «Pro Dignitate». Mesmo o conjunto da sua obra não justificará que um dia – muito longínquo, espero – possa ombrear com Amália Rodrigues no Panteão.

Não estamos em tempos de festanças mais ou menos folclóricas com dinheiros públicos e disso nos recorda a Troika cada vez que deitamos contas à vida para sabermos onde havemos de ir buscar dinheiro para pagar impostos.

Eis do que me lembrei durante algumas das caminhadas que fizemos em Praga. Mas há mais..."

Henrique Salles da Fonseca, Lisboa, Janeiro de 2013

O mundo de Baptista da Silva

Estive presente na Grande Conferência do Mundo Português, evento que integrou as comemorações dos 40 anos do Expresso: sentiu-se cultura, erudição e, sobretudo, liberdade.
António Damásio foi, como não poderia deixar de ser, brilhante. Celso Lafer salvou o seu painel de debate. Henrique Castro foi a voz da nova comunicação, do Web 3.0.  Miguel Poiares Maduro representou a lufada de ar fresco que é necessária.
No entanto, Chissano entediou o tédio; Felipe Gonzalez, à espanhol e à socialista, reafirmou que Espanha era o melhor aluno da Zona Euro antes da crise para, de seguida, culpar os mercados por Espanha estar onde está; Mário Soares foi igual a si próprio: foi incauto, caiu no "porreirismo" ao dizer aquilo que as pessoas queriam ouvir, sem mostrar a responsabilidade que um ex-Presidente e um Conselheiro de Estado deveriam ter.
É neste mundo restrito da elite portuguesa onde os portugueses ( e a própria elite) depositam a sua pouca esperança, em crise democrática, espremidos pela Troika, por Gaspar e pela ânsia de empobrecer os portugueses.
Mas o que trás esta elite senão "mais do mesmo"?
É aqui que aparece Baptista da Silva, ou Mr. Chance: alguém novo, bem falante, com ideias que parecem audazes e que cativam ao ouvido.
Tudo era falso? A personagem sim...
O meu receio é que apareçam novos Baptistas da Silva, daqueles que não são apenas charlatões; e a história está cheia deles.
As pessoas querem ouvir uma voz de esperança... venha ela de onde vier. Foi isso que aconteceu na Russia em 1917, Itália em 1922, Portugal em 1926, Alemanha em 1933, Espanha em 1939, Brasil em 1964, Grécia 1967 - apenas para falar dos mais próximos de nós -, por meio eleitoral ou revolucionário, trazendo desgraça e miséria ao povo.
Desses eu tenho receio. Do nosso charlatão, apenas uma risada e entretenimento.

sábado, 10 de novembro de 2012

VIII Convenção BE

O Bloco mudou e quer mudar o PS!
João Teixeira Lopes, em entrevista à SIC Notícias, admitiu a hipótese do Bloco ir para o Governo, caso o PS mude.
Foi com o apoio de Soares que se nacionalizou a banca e as as grandes empresas... Ou seja, não será nada que os portugueses não conheçam.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Eanização de Cavaco para salvação do país?

Desde sempre pensei que os presidentes da república iam melhorando ao longo dos mandatos e ao longo do tempo. Assim, teríamos Cavaco como melhor, seguindo-se Sampaio, Soares e Eanes.

Sempre pensei assim porque, tendo eu nascido em 1982, sempre convivi com uma constituição em que os poderes do Presidente eram diminutos se comparados com os do Governo. Sempre encarei a função do Presidente como um tudo ou nada, ou seja, como alguém que pode dissolver a Assembleia e demitir o Governo mas, falando em algo mais prático, de governação, de gestão diária, não pode intervir porque, se assim fosse, arriscar-se-ia a demitir gente todas as semanas e a haver eleições todos os meses.

Por isto é que penso que Cavaco Silva é o melhor Presidente que tivemos até hoje: foi o único que raramente interveio no Governo e, muito menos, na vida partidária.

Num lado diametralmente oposto tivemos Mário Soares que sempre tentou intervir na área da governação, fazendo a única oposição a Cavaco Silva durante quase oito anos, chegando a intervir na vida interna do PS aquando as eleições para Secretário Geral de Vítor Constâncio - contra a posição de Soares - e depois apoiando Guterres contra Sampaio.

Sampaio foi um excelente Presidente durante seis anos de mandato, os mesmo em que Guterres foi Primeiro-Ministro. Tal foi possível porque Guterres tinha tanto de mau Primeiro-Ministro como de bom Presidente, ocultando, inúmeras vezes, Sampaio.

Guterres nunca gostou de decidir e então era vê-lo em tudo quanto era representação do estado português: eram convenções, encontros, cimeiras, festas, etc.. Em tudo onde deveria estar Sampaio, estava Guterres. Onde deveria estar Guterres, estava Jorge Coelho.

Caindo Jorge Coelho caiu Guterres e, poucos meses depois, pudemos assistir a todas as trapalhadas e atropelos cometidos por Sampaio.

De Eanes não tenho memória... Mas cresci a ouvir dizer mal dele, cresci com uma caricatura do António onde estava escrito "Veto logo existo", cresci a pensar que o Almirante Pinheiro de Azevedo seria um excelente Presidente - para mim o primeiro erro político de Sá Carneiro, muito embora tivesse sido uma excelente estratégia para colocar o então PPD do lado dos vencedores.

Eanes, numa altura em que o país tinha acabado de sair da Revolução e da estabilização do 25 de Novembro, numa altura de grave crise financeira e económica - não era uma crise de social e de valores como a que vivemos hoje porque o peso dos 48 anos de ditadura ainda estava muito presente - tendo uma constituição mais favorável ao Presidente ( 1976), sempre interveio em áreas da governação, chamando a si a iniciativa de formar alguns governos.

Não foram governos excelentes mas, à época, dado o tempo político, seria porventura uma opção aceitável.

Hoje estamos numa situação de emergência nacional, mergulhados numa crise financeira, económica, social, de valores e, provavelmente, política. Como não sou sociólogo, não vou falar da crise social e de valores. A crise financeira e económica é visível até para um cego. Por isso vou falar da crise política.

Tivemos um Governo eleito em condições excepcionais, numa altura em que todos já sofriam na pele a má governação socialista, indo a eleições Sócrates e os outros. Felizmente ganharam os outros.
Os outros, sem terem direito a "estado de graça", desde cedo conseguiram mover o povo para um desígnio nacional de sacrifício, pagando os excessos dos últimos anos. A bem ou mal todos aceitaram; muito mais a bem do que a mal.

O problema é que o caminho escolhido ou não foi o melhor ou não foi bem executado e estamos num ponto onde não parece haver solução à vista. Pior do que isso, esse caminho levou a que os dois partidos que compõem o governo tenham entrado claramente em rota de colisão.

Perante isto, o que poderá fazer o Presidente da República? Não fazer nada, dissolver a Assembleia ou manter a Assembleia e optar por um governo de iniciativa presidencial.

Não fazer nada vai fazer com que o povo se recorde de Cavaco como o Presidente que nada fez ( nem de bem nem de mal).

Dissolver a Assembleia vai fazer com que o país pare mais seis ou sete meses devido a eleições, sendo que existirão eleições internas no PS ( António Costa não deixaria Seguro concorrer como candidato a Primeiro Ministro) e no PSD virá ao de cima tudo o que há de mau nas tricas partidárias, com as tropas de Passos Coelho a não deixarem que existam eleições internas, minando tudo.

Assim sendo, a melhor solução seria a de Cavaco Silva chamar a si a responsabilidade de formar um governo. Um governo sério, feito de gente preparada e com provas dadas no lado profissional, quer seja académico, empresarial e associativo. Um Governo de gente que pense que é uma honra poder servir Portugal e os portugueses.

Já que estamos no domínio do hipotético, hipoteticamente esse Governo seria constituído pelos três líderes dos partidos democráticos, salvaguardando que seriam Ministro sem  Pasta.

Depois, mais 13 ou 14 pessoas com a responsabilidade de devolverem a dignidade a Portugal e aos portugueses. Poderiam ser Manuela Ferreira Leite, Miguel Cadilhe, Francisco Assis, Vítor Ramalho, Luís Amado, Bagão Felix, Pires de Lima, Rui Rio, Luís Marques Mendes, Jorge Moreira da Silva, Teresa Patrício Gouveia, Rui Moreira, António Lobo Xavier e Leonor Beleza.

Um Presidente com uma solução para o país e um conjunto de pessoas insuspeitas e com provas dadas. Neste tempo político penso que seria o mais indicado.

Quando? Logo após a aprovação do Orçamento de Estado, não dando hipótese a Passos Coelho de remodelar o actual Governo.

Por Portugal, pelos portugueses, acima de todos os interesses partidários.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

O velho e o novo Soares


Soares, actualmente, diz isto.

No entanto, segundo Rui Mateus, após a criação da empresa Emaudio, dirigida na sombra pelo Presidente Soares, arrancando pouco após a sua eleição, fazia isto: "com muitas dezenas de milhares de contos "oferecidos" por (Robert) Maxwell (...) consideráveis valores oriundos do "ex-MASP" e uma importante contribuição de uma empresa próxima de Almeida Santos."

Ao nomear governador de Macau um homem da Emaudio, Carlos Melancia, Soares permite juntar no território a administração pública e negócios privados, acenando a Maxwell a entrega da estação pública de TV local, com a promessa de fabulosas receitas publicitárias. O negócio não se realizou, cancelado por Robert Maxwell e não por Soares.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Entre Hollande e Sarkozy


Entre Hollande e Sarkozy, entre um socialista centrado no estado e um pequeno Napoleão, o diabo escolheu.

Agora é ver a velha guarda socialista portuguesa como Soares e Alegre, que por falta de conhecimento histórico ou envolvidos num espírito pós-moderno e pós-realista em que era “chic a valer!” saber falar francês e conhecer na ponta da língua as ruas da capital francesa, colocarem novamente Paris como centro do mundo e vangloriarem-se pela vitória de um compagnie de route.

A dúvida é se Hollande tem força suficiente para abraçar Merkel e ser ele a conduzir a dança. Penso que não, a mulher é de leste e está habituada a cerveja e salsichas, algo forte de mais para a nouvelle cuisine!

A mim só me recorda este excerto de filme, genial do meu ponto de vista, em que os franceses são colocados no seu devido lugar ( histórico).

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

" Sou, como se sabe, a favor de uma economia de mercado", Mário Soares in Visão.
E, como se sabe, foi o PS de Mário Soares juntamente com o PCP de Álvaro Cunhal que permitiram as nacionalizações no pós 25 de Abril.
Entendem?!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O problema de Cavaco

Ouvi há pouco as declarações do Presidente da República , as quais não achei muito diferentes do discurso de tomada de posse.
No entanto, agora, ao invés da época, não ouvi ninguém do PS a dizer que o Presidente estava a colocar a estabilidade política nacional em causa e que gostaria que o governo caísse. Ele há coisas!
Posto isto e ouvindo o monólogo de Carlos César de há alguns dias atrás tenho a dizer que Cavaco personifica perfeitamente o "preso por ter cão preso por não ter".
Se o Presidente interfere a roçar ao de leve o estilo de Soares ou Sampaio, é partidário.
Se o Presidente nada diz, é amorfo.
Se fala mal do PS, tem problemas antigos por resolver... E meus caros, neste aspecto, penso que quem tem problemas antigos por resolver é o PS porque nunca interiorizou que Cavaco Silva foi um excelente Primeiro Ministro, o melhor que já tivemos, e que conseguiu o equilíbrio necessário entre todos os players nacionais. De tal forma que ganhou 5 das 6 eleições em que concorreu.
O que o PS nunca conseguiu admitir foi que depois de 10 anos em que se fizeram reformas importantes e alguns investimentos extremamente necessários, Guterres e os seus camaradas tentaram fazer melhor. Não conseguiram, apenas esbanjaram dinheiro e o resultado está à vista. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Santana Lopes e a Santa Casa: o dinamismo que a instituição necessita

Aterrei há pouco em Portugal e deparo-me com a notícia que Pedro Santana Lopes poderá presidir à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Uma notícia que poderá surpreender muita gente mas que a mim, por uma sucessão de factos que não vale a pena referir aqui, não me surpreende de todo.
Caso Santana avance para a presidência da instituição, penso que fará um bom trabalho.
Digo isto desprendido de tudo e todos já que nunca admirei o senhor - excepção feita naquela saída intempestiva do programa da SIC N - apesar de, e se calhar por causa disso mesmo, a par de Mário Soares, deverão ser os unicos em Portugal que abrem a boca para dizer uma série de bacoradas e têm 10.000 a bater palmas!
Voltando à Santa Casa, parece-me que Santana irá fazer um bom trabalho porque o marketing e o core business dos Jogos Santa Casa - porventura os maiores financiadores da Santa Casa da Misericórdia - têm que mudar. Santana é um homem capaz de impingir essa mudança.
Actualmente os Jogos da Santa Casa perdem terreno todos os dias face a um novo tipo de jogo: o jogo online.
Algumas pessoas de esquerda - as do PS porque quer PCP quer BE nunca gostaram muito da função misericordiosa da Santa Casa e muito menos do jogo -  e outras de uma direita mais conservadora vêm com maus olhos esta "nova aventura" online porque acham quase pornográfico o jogo financiar obras de caridade, obras junto de quem mais necessita, de cada vez mais famílias que se vêm em situações de vida muito complicadas.
Se não houver uma modernização dos jogos no formato tradicional de quiosque e não existir uma evolução para o online, as receitas decrescem e o dinheiro disponível para as ditas obras torna-se escasso.
Posto isto, urge a mudança e Santana será o homem capaz de a fazer.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Ao cuidado de António José Seguro

  • Emaudio
  • Face Oculta
  • Freeport
  • Operação Furacão
  • Fundação para a Prevenção e Segurança,
etc.etc..
Bem sei que o "meu partido" também tem os seus casos mas é melhor Vossa Excelência começar a tratar dos "problemas" socialistas antes de se dar a entender como um arauto anti-corrupção.
Certamente que o conhecimento que tem do "aparelho" socialista e do seu modus operandi lhe dará alguma vantagem!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Dúvidas que populam por aí

Onde andou Mário Soares nos últimos tempos?! Sem me querer alongar muito, nos últimos 6 anos?

terça-feira, 5 de julho de 2011

É disto que, mais ou menos e com a devidas ressalvas, Mário Soares falou ontem, certo?