Para quarto e último texto sobre o crescimento sustentado em Oliveira de Azeméis, sobre as oportunidades criadas pelo poder político e a forma como os empresários oliveirenses as aproveitaram em prol do desenvolvimento local e a melhoria das condições de vida dos oliveirenses, ficou o turismo.
Desde os idos anos 90, com Alfredo César Torres como Secretário de Estado do Turismo, lançando a campanha " Vá para fora cá dentro", que Portugal começou a olhar para o turismo como uma indústria capaz de gerar receitas visíveis. Já existia essa experiência da época do Estado Novo mas só em locais muito específicos como o Estoril e a ilha da Madeira. O Algarve veio mais tarde, pelo rasgo de Cupertino de Miranda e André Jordan.
O que fez César Torres foi catapultar as capacidades turísticas de todo o país pois previa-se um intenso desenvolvimento económico nesta área específica. César Torres tinha a grande vantagem de, como ex-piloto de automóveis e como organizador das grandes provas automobilísticas em Portugal, como sendo o Rali de Portugal Vinho do Porto, conhecer o país de lés-a-lés, por carro, por estradas inenarráveis de tão duras que eram, mas que passavam por aldeias cristalizadas no tempo, por paisagens que hoje em dia são património mundial da humanidade e dando a conhecer a gastronomia das regiões.
Comecei por referir a visão de César Torres porque a podemos transpor para Oliveira de Azeméis e podemos facilmente observar que tudo aquilo que César Torres descobriu em Portugal e que foi capaz de dinamizar uma campanha, existe em Oliveira de Azeméis e, acredito, seja capaz de dinamizar os oliveirenses em torno da sua terra, potenciando a qualidade dos serviços e trazendo mais visitas de pessoas da região.
Oliveira de Azeméis tem actualmente um Parque Molinológico em Ul, onde os visitantes podem apreciar a beleza dos moinhos, aprender como se faz o famoso pão-de-Ul e provar esta iguaria juntamente com a regueifa. Além disto, Ul vai ser considerada Aldeia de Portugal.
No centro de Oliveira de Azeméis mistura-se, por exemplo, o traço do Arquitecto Siza Vieira, a presença milenar de um marco romano, a Galeria Tomás Costa e um stick de hóquei, edificado durante o Mundo de 2003 e que está no Livro Guinness por ser o maior do mundo.
No topo de Oliveira de Azeméis, uma capela em Art Deco, rodeada por árvores exóticas trazidas pelos emigrantes no Brasil: Muitas das árvores que florescem no Parque de La-Salette são únicas na Europa.
A Sudeste do concelho, em Palmaz, é possível caminhar pelas margens do Caima e, subindo até à freguesia de Ossela, deparamo-nos com a casa onde nasceu Ferreira de Castro.
A resposta hoteleira por todo o concelho é do mais alto nível, com o hotel rural em Palmaz, o hotel Dighton em Oliveira de Azeméis, e muitos restaurantes e tasquinhas, desde Loureiro a Cucujães, passando por Cesár, Cidacos, Ul, Fajões, Santiago, S. Roque e por aí fora...
Na gastronomia, além do pão e da regueifa de Ul, do queijo e da cerveja de Ossela, dos Beijinhos de Azeméis, Zamacóis ou os Formigos Cesarenses, o ex-libris são as Papas de S. Miguel, feitas de farinha de milho, nabiça e carne em vinha-de-alhos, tendo já uma confraria que honra e mantém a tradição deste prato típico.
Esta é a capacidade instalada do concelho de Oliveira de Azeméis, no que toca ao turismo.
No entanto, como promoção do concelho, por estratégia, por forma a dar voz a todas estas singularidades, há a aposta constante em eventos que potenciam as tradições.
Eventos como a Volta a Portugal em Bicicleta, o Mercado à Moda Antiga, Noite Branca, a transmissão de programas de grande audiência a partir de Oliveira de Azeméis, como sendo a Praça da Alegria e o Portugal no Coração, a presença do concelho na Bolsa de Turismo de Lisboa e em demais eventos relacionados turismo regional, como foi, por exemplo, a presença na loja do Turismo Porto e Norte, no aeroporto Francisco Sá Carneiro, entre muitos outros.
Mais uma vez, aos oliveirenses, foram dadas ferramentas úteis para que possam desenvolver a actividade económica do turismo, com isso, valor e mais oportunidades de emprego.
No meu entender existem apenas duas lacunas que poderiam catapultar ainda mais o turismo oliveirense: a criação de um verdadeiro museu - regional ou em honra dos artistas locais como o Paulo Neves ou o Luís Darocha - e a melhoria da ligação a Espinho/ Porto através da modernização e optimização da linha do Vouga.
Termino como o fiz há dias: apesar da crise e das dificuldades, Oliveira de Azeméis tem gente audaz e trabalhadora, tem meios de desenvolvimento, ferramentas, que nos possibilitam olhar o futuro com esperança, numa perspectiva de consolidação económica e que trará melhores condições de vida a todos.
Mostrar mensagens com a etiqueta Paulo Neves. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Paulo Neves. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Azeméis com crescimento sustentado - III
" Azeméis com crescimento sustentado - III ", como o próprio título poderia indicar, é dedicado ao sector terciário.
Como é que o sector terciário pode ser motor de desenvolvimento?!
Normalmente o sector terciário só existe se existir sector primário e secundário já que as explorações e indústrias necessitam de alguém que lhes trate da contabilidade ou do solicitadoria. Necessitam de advogados e economistas, necessitam de quem lhes trate das comunicações, por exemplo.
Oliveira de Azeméis, como disse anteriormente, é um concelho muito competitivo, nomeadamente na indústria dos moldes, metalomecânica e agro-alimentar. Tem matéria para que os serviços se desenvolvam mas, mesmo assim, não seria suficiente para um desenvolvimento sustentado nesta área.
Santa Maria da Feira, tem uma instituição de ensino superior que dá formação nestes mesmos serviços, como sendo o marketing, solicitadoria e contabilidade. É um apoio às indústrias locais mas, só por si, não chega para ser um sector auto-sustentado.
O que é necessário para que os serviços sejam auto-sustentados?! Ideias.
Oliveira de Azeméis, porventura por ser um concelho antigo, por desde há muitos séculos propiciar boas condições de vida aos seus habitantes, por ser um concelho economicamente viável, conseguiu formar uma classe média culta e educada, aproveitando o melhor que lhe foi colocado à frente.
Oliveira de Azeméis, no século XX, foi uma referência no ensino, muito à custa do Colégio de Oliveira de Azeméis e da Escola Indústrial e Comercial.
Talvez por isto, por termos pessoas educadas e com algum poder de compra, essas mesmas pessoas tiveram a hipótese de ler, viajar, conhecer; coisas fundamentais para que se desenvolva o sonho e a capacidade de criar.
Oliveira de Azeméis é também um concelho referência no sector terciário porque consegue ter um conjunto de empresas que, à parte da qualificação técnica dos seus quadros, conseguem imputar ideias novas e serem inovadores naquilo que fazem.
Resumindo, Oliveira de Azeméis consegue exportar ideias, criando valor e emprego.
Neste sector, que tem a capacidade de juntar os serviços à criação de "peças únicas", temos agências de comunicação, temos ateliers de artistas, temos algo fantástico que é "recuperar o lixo" de forma criativa.
Existe a Globaz, uma agência de comunicação, que apresenta design e copy associados a novas soluções tecnológicas, para mercados B2B e B2C. É do centro de Oliveira de Azeméis, cresceu por Portugal e partiu, com sucesso, à conquista dos mercados angolano, moçambicano e cabo-verdiano.
Oriunda de uma família de arquitectos e engenheiros, a FMS Group, junta serviços de arquitectura e engenharia e coloca-os no mercado global, levando o traço oliveirense por esse mundo fora.
Ao percorrermos Portugal, deparamo-nos várias vezes com imponentes figuras de mármore nas rotundas e outros espaços públicos, como se fossem perfis de uma cara.
Essas obras de arte são idealizadas e produzidas por um cucujanense, Paulo Neves de seu nome, que vive e trabalha na sua freguesia.
Ao depararmo-nos com estas obras de arte espalhadas por Portugal, não é só o nome do Paulo que se enobrece mas também o nome de Oliveira de Azeméis e de todos os seus artistas.
Muito recentemente, no chamado " Quelho do Marcelino", abriu uma pequena loja e atelier que, além das bonitas peças apresentadas, é um caso de estudo no processo das indústrias criativas no combate à crise.
A loja chama-se Virar do Avesso e é onde a Ana e a Maria João recuperam objectos, dando-lhes um toque especial.
Os quatro casos que falei são quatro casos de sucesso quer pela criatividade quer pelo volume de negócios/ vendas gerado.
São bons exemplos de como " as ideias" podem ser colocadas em prática, do lado do criador e do lado do cliente, gerando empresas de sucesso.
A Globaz, a FMS Group, o Paulo Neves e a Virar do Avesso, numa terra com tanta gente a produzir e a criar bem, são empresas que os estudantes, trabalhadores liberais, micro-empresas, etc., podem ver como metas de sucesso a atingir.
Como é que o sector terciário pode ser motor de desenvolvimento?!
Normalmente o sector terciário só existe se existir sector primário e secundário já que as explorações e indústrias necessitam de alguém que lhes trate da contabilidade ou do solicitadoria. Necessitam de advogados e economistas, necessitam de quem lhes trate das comunicações, por exemplo.
Oliveira de Azeméis, como disse anteriormente, é um concelho muito competitivo, nomeadamente na indústria dos moldes, metalomecânica e agro-alimentar. Tem matéria para que os serviços se desenvolvam mas, mesmo assim, não seria suficiente para um desenvolvimento sustentado nesta área.
Santa Maria da Feira, tem uma instituição de ensino superior que dá formação nestes mesmos serviços, como sendo o marketing, solicitadoria e contabilidade. É um apoio às indústrias locais mas, só por si, não chega para ser um sector auto-sustentado.
O que é necessário para que os serviços sejam auto-sustentados?! Ideias.
Oliveira de Azeméis, porventura por ser um concelho antigo, por desde há muitos séculos propiciar boas condições de vida aos seus habitantes, por ser um concelho economicamente viável, conseguiu formar uma classe média culta e educada, aproveitando o melhor que lhe foi colocado à frente.
Oliveira de Azeméis, no século XX, foi uma referência no ensino, muito à custa do Colégio de Oliveira de Azeméis e da Escola Indústrial e Comercial.
Talvez por isto, por termos pessoas educadas e com algum poder de compra, essas mesmas pessoas tiveram a hipótese de ler, viajar, conhecer; coisas fundamentais para que se desenvolva o sonho e a capacidade de criar.
Oliveira de Azeméis é também um concelho referência no sector terciário porque consegue ter um conjunto de empresas que, à parte da qualificação técnica dos seus quadros, conseguem imputar ideias novas e serem inovadores naquilo que fazem.
Resumindo, Oliveira de Azeméis consegue exportar ideias, criando valor e emprego.
Neste sector, que tem a capacidade de juntar os serviços à criação de "peças únicas", temos agências de comunicação, temos ateliers de artistas, temos algo fantástico que é "recuperar o lixo" de forma criativa.
Existe a Globaz, uma agência de comunicação, que apresenta design e copy associados a novas soluções tecnológicas, para mercados B2B e B2C. É do centro de Oliveira de Azeméis, cresceu por Portugal e partiu, com sucesso, à conquista dos mercados angolano, moçambicano e cabo-verdiano.
Oriunda de uma família de arquitectos e engenheiros, a FMS Group, junta serviços de arquitectura e engenharia e coloca-os no mercado global, levando o traço oliveirense por esse mundo fora.
Ao percorrermos Portugal, deparamo-nos várias vezes com imponentes figuras de mármore nas rotundas e outros espaços públicos, como se fossem perfis de uma cara.
Essas obras de arte são idealizadas e produzidas por um cucujanense, Paulo Neves de seu nome, que vive e trabalha na sua freguesia.
Ao depararmo-nos com estas obras de arte espalhadas por Portugal, não é só o nome do Paulo que se enobrece mas também o nome de Oliveira de Azeméis e de todos os seus artistas.
Muito recentemente, no chamado " Quelho do Marcelino", abriu uma pequena loja e atelier que, além das bonitas peças apresentadas, é um caso de estudo no processo das indústrias criativas no combate à crise.
A loja chama-se Virar do Avesso e é onde a Ana e a Maria João recuperam objectos, dando-lhes um toque especial.
Os quatro casos que falei são quatro casos de sucesso quer pela criatividade quer pelo volume de negócios/ vendas gerado.
São bons exemplos de como " as ideias" podem ser colocadas em prática, do lado do criador e do lado do cliente, gerando empresas de sucesso.
A Globaz, a FMS Group, o Paulo Neves e a Virar do Avesso, numa terra com tanta gente a produzir e a criar bem, são empresas que os estudantes, trabalhadores liberais, micro-empresas, etc., podem ver como metas de sucesso a atingir.
Etiquetas:
Crise,
FMS Group,
Globaz,
Oliveira de Azeméis,
Paulo Neves,
sector terciário,
Virar do Avesso
Subscrever:
Mensagens (Atom)
