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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Passos, Relvas e Gaspar - a arte de alienar


"Quando entrou em funções o Governo tinha toda a boa vontade dos portugueses e o PS colaborante, amarrado como estava pelo Memorando assinado com a troika. Não seria necessário ser demasiado intuitivo e inteligente para entender que essa era a altura de efetuar reformas de fundo no Estado. E de que, para isso, o Governo necessitava do PS, da UGT, de todos os que pudesse congregar. Muita gente - eu incluído - o escreveu e o disse inúmeras vezes.
O Governo escolheu outro caminho - o de alienar aliados e parceiros. O primeiro a ser afastado de toda e qualquer decisão foi o PS. Seguiu-se a única central sindical com que podia contar - a UGT. No caso da TSU foram as associações patronais. Depois, foi a vez de boa parte do PSD. E Paulo Portas e o CDS. E também o Presidente da República.
De acordo com o que é possível ler na última edição do Expresso, boa parte dos ministros também já não participam nem comungam das teses de Passos, Relvas e Gaspar. Ou seja, da troika que afastou todos os aliados até se refugiar num pequeno reduto onde, agora, acossada, depois do discurso de Cavaco Silva, espera uma sentença do Tribunal Constitucional.
Não é bonito de se ver, sobretudo não é bom para o país. Como já escrevi há meses, pouco mais resta do que Passos sair pelo seu pé e permitir que outra solução emanada deste Parlamento possa, de forma dialogante, continuar o programa de ajustamento e reforma de que o país necessita."

domingo, 30 de setembro de 2012

Alguém demita o estupor

O estupor Borges - se ele chama ignorantes aos empresários, sinto-me no direito de lhe chamar estupor - já tinha demonstrado uma grande falta de Sentido de Estado ao aceitar ser consultor do governo para as privatizações e, ao mesmo tempo, ter um lugarzinho na Jerónimo Martins. Uma situação não muito coerente com o ar aristocrático do dito cujo.
Ontem, movido de uma raiva sem par porque alguém não aceitou a sua medida genial, decidiu vociferar contra quem ainda acrescenta valor ao país: os empresários e os trabalhadores.
Dado que o estupor, apesar da sua educação e cultura, não se demite, alguém que o demita. Sem direito a indemnização.