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terça-feira, 26 de junho de 2012

É este o país que temos

Que Portugal é considerado um "país de brandos costumes", já todos sabíamos.
Que vivemos 48 anos debaixo de uma ditadura onde até poderá ter havido a industrialização nos anos 60, não entramos na guerra e conseguimos acumular riquezas consideráveis, mas não havia liberdade e que pouco ou nada se fez de concreto contra isso, a não ser a inércia de apoiar um golpe de estado, também o sabíamos.
Hoje tivemos a leitura da sentença de um caso que atenta contra a liberdade de imprensa e liberdade de informação e, mais uma vez, fica provado que isso são coisas de menos importância.
Certamente há quem considere que liberdade e informação não colocam fartura na mesa e não vale a pena lutar por algo tão natural como respirar, comer ou beber.
Ricardo Rodrigues foi condenado a pagar 4.950 € de multa no caso dos gravadores roubados na Assembleia da República aos jornalistas da Sábado.
Barato. Certamente mais barato do que a consequência que teriam as respostas às perguntas que foram feitas e que tanto incomodaram o deputado socialista.
Além de ser barato cometer um crime que lesa 10.000.000 milhões de portugueses ( todos têm o direito a serem informados), há coisas conclusões tomadas que, a meu ver, não têm lógica.
A acreditar na notícia do Económico, " O tribunal considerou que o arguido actuou "de forma irreflectida" quando se apoderou dos gravadores." e, mais à frente " O deputado socialista, que é advogado de profissão, disse que se apoderou dos gravadores para ter uma "prova" sólida para apresentar ao juiz que viesse a decidir a providência cautelar, que intentou dias depois, sobre a publicação da entrevista, que temia que viesse a ser "deturpada".".
Então o roubo foi de forma irreflectida ou de forma premeditada?!
Será que ninguém se preocupa com isso?

quinta-feira, 22 de março de 2012

A licenciatura de Sócrates no Clube dos Pensadores

Joaquim Jorge, no Clube dos Pensadores, a dada altura sobre a licenciatura de Sócrates diz " Deixem o homem em paz , já chega. Já pagou em parte pelo que fez , perdeu as eleições ".
Não pode ser assim. Uma pessoa responde perante o eleitorado sobre factos políticos e responde perante um juiz sobre factos criminais, não se podem misturar as coisas.
Estranho é que Joaquim Jorge, no mesmo texto, refere " Há uma Justiça quando se é Primeiro-Ministro e há outra quando não se é? Também fica a ideia que quando se é Primeiro-Ministro consegue-se abafar e esconder debaixo do tapete alguns atropelos." e é contra esta justiça, aqui preconizada por mais um caso de Sócrates, que deveremos exigir reformas, permitindo um acesso igual de todos ao sistema judicial.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ao estado em que chegamos

Começo por dizer que sou benfiquista e, devido a isso, para o comum dos mortais, deveria estar contente com esta notícia. Mas não estou.
Com que cara é que os senhores do Ministério Público vão olhar para as pessoas a quem, por falta de meios, tempo ou vontade, não conseguem dar resposta aos seus problemas?!
Bem sei que a lei é igual para todos mas aquilo não passou de uns encontrões e uns tabefes num jogo de futebol, quando no mesmo jogo de futebol, quase de certeza, se cometeram ilícitos muito maiores.
Com que cara é que os senhores do Ministério Público vão olhar para os ourives ou os donos das gasolineiras que são assaltados e onde se vê perfeitamente a cara dos assaltantes mas que pouco ou nada fazem?!
Com que cara é que os senhores do Ministério Público vão olhar para os jovens que muitas vezes são agredidos à porta das discotecas por seguranças das mesmas, muitas vezes sem razão nenhuma, e que daí não resultada nada, nem sequer uma investigação?!
Como é que querem credibilizar a justiça deste país se fazem manchetes com coisas ridículas como esta?!